Quarta-Feira 08 de Fevereiro 2012
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Como escolher um curso de inglês?

Numa época em que a habilidade de se falar inglês torna-se uma qualificação tanto cultural como profissional básica indispensável, quando seu aprendizado exige um considerável investimento de tempo e dinheiro, ao mesmo tempo em que escolas e cursinhos de inglês instalam-se praticamente em cada esquina, em cidades grandes e pequenas, bombardeando-nos com mensagens publicitárias, torna-se necessário saber avaliar a qualidade dos mesmos.

O mercado de ensino de inglês no Brasil está crescendo desordenadamente e torna-se muito vulnerável ao comércio improvisado e amador, uma vez que é difícil para quem ainda não fala a língua estrangeira avaliar a qualidade do que lhe é oferecido. É comum o aluno estudar dois anos e se dar conta de que o método não deu resultado.

O que segue busca proporcionar orientações sobre como avaliar e escolher um programa dentre tantos que se propõem a ensinar pessoas a falar inglês.

Padronizado ou sob-medida?

Na escolha de um curso ou programa de inglês, evite o ensino padronizado em pacote, aquele normalmente comercializado em grande escala. É notório o fato de que diferentes pessoas têm diferentes ritmos de assimilação. Portanto, qualquer marcha predeterminada, dificilmente vai se adaptar de forma ideal às características individuais de cada um. Procure sempre um trabalho mais personalizado, não serializado, que respeite o ritmo de assimilação de quem precisa de mais tempo e que saiba explorar o talento dos mais rápidos.

Além disso, diferentes pessoas têm diferentes interesses e diferentes necessidades. A eficácia do treinamento será maior se as atividades forem adaptadas às necessidades e aos interesses específicos de cada grupo e cada aluno.

Propaganda

Cuidado com o falso marketing.
O limite que divide a informação baseada em fatos da propaganda enganosa é às vezes tênue e o cliente menos precavido torna-se uma presa fácil. Principalmente quando se trata de um serviço que pode levar 2 anos para revelar sua ineficácia.

Não se deixe portanto influenciar por propaganda. Talento para marketing nem sempre coincide com preocupação acadêmica e eficiência pedagógica.

Um projeto de ensino de língua estrangeira deve explicar em que teoria de lingüística se fundamenta e em qual teoria de aprendizado se inspira. Detalhes como ar condicionado, estacionamento, ambiente VIP, etc., são irrelevantes. Slogans do tipo " A melhor escola de ...", "instrutores altamente qualificados", "material próprio", "método científico", "curso rápido", "escola nota dez", “quadras de esportes”, “o inglês que você não esquece”, são frases de efeito apenas. Opiniões abstraídas de fatos, são um desrespeito à inteligência do público alvo. Desacredite das empresas que fazem uso de mídia intrusiva, tais como, os chamados "outdoors" que carregam pouca informação e prometem um aprendizado fácil e rápido, as melodias pegajosas veiculadas por rádio, ou as enganosas mensagens por TV apoiadas na estampa de astros populares.

Quem gasta muito em propaganda, repassa este custo para o aluno ou acaba economizando no professor.

Aula demonstrativa

Oferecer uma aula demonstrativa de língua estrangeira é como mostrar a muda do pé de laranjeira para tentar provar que as laranjas serão doces - para você saber se as laranjas serão doces, só quando o pé produzir laranjas. Se quiser assistir a uma aula demonstrativa, exija que seja com aquele que será o seu instrutor, e leve junto um amigo que fale inglês bem para ter um diagnóstico, pelo menos, da qualidade do inglês que o instrutor fala.

Business English, inglês técnico, inglês comercial, inglês instrumental etc.

Será que empresários, viajantes, secretárias, médicos, etc., falam línguas diferentes? É claro que não. O que pode variar é apenas uma parcela de vocabulário, sendo que fluência em línguas não está diretamente relacionada a simples familiaridade com vocabulário. O importante, é assimilar o idioma uniformemente, em todos seus aspectos. À medida em que desenvolve habilidade sobre a língua, o aluno naturalmente vai direcionando a sua assimilação de vocabulário ao que lhe é mais útil.

Veja com desconfiança anúncios do tipo Business English, Inglês para Viajem, Inglês Técnico etc, pois provavelmente tratam-se de pacotes fechados, receitas prontas, comida enlatada.

Certificado

Em primeiro lugar, é preciso saber que todos os cursos de línguas são classificados como "cursos livres" pelo Ministério da Educação, não estando sujeitos a qualquer tipo de controle nem de reconhecimento.

Aqueles que dão importância a certificado, lembrem-se que o culto ao documento como instrumento de comprovação não passa de um vício da nossa cultura brasileira. Não se deixem influenciar por isso. O que vale mesmo é a habilidade adquirida. Se houver uma necessidade real de comprovação de proficiência, a pessoa deve procurar se submeter a um dos vários testes internacionais de avaliação de proficiência como os mundialmente reconhecidos exames de Cambridge, disponibilizados pelo Bells.

Finalmente, veja se o proprietário da escola é um investidor numa oportunidade de negócios ou um profissional com qualificação acadêmica e competência lingüística e cultural. Veja também se a escola depende de um pacote didático predeterminado e rígido ao qual instrutor e aluno têm que se adaptar, ou se há espaço para que talentos individuais possam crescer, e então serem capazes de aprimorar e desenvolver sua própria didática.

Por que ter aulas em grupo e numa escola de idiomas é melhor do que ter aula particular

Em situações reais a comunicação entre pessoas é feita de idéias, emoções, sentimentos –
a linguagem usada é selecionada e adaptada em função do momento e contexto específico.
Numa situação de aula particular - professor-aluno - raramente ou quase nunca o aluno tem a oportunidade de usar o novo idioma dessa forma e desenvolver fluência para funcionar em situações reais conforme foram acima descritas. A razão é muito simples – são apenas as idéias, emoções e forma de expressão de duas pessoas.
Nesta situação fictícia não há negociação de linguagem - a contribuição, troca ou até mesmo o debate de idéias praticamente não existe, criando assim um ambiente que muito pouco contribui para o verdadeiro aprendizado de uma língua.
Dessa forma, perde-se o principal objetivo do ensino de uma língua que é o de desenvolver no aluno a habilidade de se comunicar adequadamente com diferentes interlocutores.

A metodologia e o instrutor são fundamentais

Não se influencie pelo nome da escola, mas sim pela capacidade do instrutor e a metodologia de ensino da escola. Não é a cor da camiseta que faz o bom jogador. O fato de escolas em diferentes cidades operarem sob o mesmo nome e usarem o mesmo livro não significa que sejam iguais muito menos que os instrutores sejam todos bons. Linguagem é comportamento humano, e habilidade sobre uma língua depende de prática no convívio e no contato pessoal com pessoas que falam esta língua com naturalidade e desenvoltura, seja na sala de aula ou fora dela. Plano didático, regras gramaticais, livros, fitas, videotapes ou CD-ROMs ..., podem constituir-se num complemento importante mas pouco lhe ajudam a desenvolver a habilidade funcional de que você necessita se o instrutor e a metodologia adotada não lhe ajudarem no processo.

O que é um bom instrutor?

Quando pensamos em aprender inglês, na grande maioria dos casos isso se refere a desenvolver habilidade funcional em inglês; não necessariamente adquirir conhecimento sobre sua estrutura gramatical, nem estocar frases-modelo decoradas.

Portanto, quando falamos de professor ou de instrutor de inglês, na verdade estamos nos referindo a uma pessoa que através do seu conhecimento e do seu profissionalismo saiba funcionar como agente desta língua e desta cultura que desejamos assimilar e que, consciente do que necessitamos, saiba nos transmitir essa habilidade. São três os aspectos que definem a qualificação de um instrutor, os quais se complementam e devem ocorrer simultaneamente.

Competência na língua e na cultura:

A primeira e fundamental condição é que fale muito bem o idioma, com fluência e naturalidade, e que tenha familiaridade com a cultura estrangeira. Pronúncia, ritmo e entonação corretos bem como propriedade idiomática são fundamentais para não transferir desvios ao aluno. Infelizmente, fica difícil para quem ainda não fala inglês distinguir nos outros uma boa pronúncia de uma pronúncia distorcida pela interferência da língua mãe (sotaque, pobreza idiomática, etc.). Isso torna o principiante uma presa fácil de cursos menos sérios. Por isso é sempre recomendável procurar conhecer o inglês de seu futuro instrutor na presença de um amigo que fale inglês muito bem, ou bem suficiente para saber reconhecer uma pronúncia autêntica. Improvisação, pobreza idiomática e desvios gramaticais também são limitações freqüentemente observadas em instrutores de muitos cursinhos e também prejudiciais ao aluno.

Características de personalidade:

Além de plena competência lingüística e cultural, existem certas características de personalidade e habilidades no plano psicológico que são decisivas. O bom instrutor é normalmente descontraído, alegre, tem bom senso de humor, facilidade de relacionamento e sensibilidade para saber lidar com pessoas com diferentes graus de autoconfiança. Não é aquele que ostenta seu conhecimento lingüístico e corrige o aluno o tempo todo; é aquele que desenvolve auto-estima e auto-confiança no aprendiz. É aquele que desempenha um papel de facilitador, colocando-se num plano de igualdade e não de superioridade. É aquele que explora o plano afetivo e empatiza com o aluno. O bom instrutor é aquele que, ao perceber a realidade pela ótica do aluno, identifica, analisa e explica diferenças culturais. É aquele que se solidariza e se projeta dentro do aprendiz; que além dos materiais didáticos explora os pensamentos do aluno, seus interesses, seus valores e suas verdades, mesmo os mais íntimos, e ajuda o aluno a traduzi-los em linguagem precisa, correta e relevante. É aquele que se interessa mais pelo conteúdo da mensagem que o aluno tenta lhe trazer do que nos erros, desvios da linguagem utilizada. É aquele que apresenta a língua na sua finalidade prática como meio de expressão, servindo ao aluno, e não levando-o a dobrar-se às regras e irregularidades da língua.

Qualificação acadêmica:

É indispensável que o instrutor tenha clara consciência dos conceitos de language learning , language acquisition, form–meaning–use, é desejável também que tenha conhecimentos de diferentes métodos de ensino de línguas, psicologia educacional, lingüística comparada, , fonologia, e alguma experiência como instrutor. Melhor ainda se tiver uma certificação internacional.

Uma boa escola treina seus instrutores regularmente, os remunera bem, exige uma certificação internacional mínima, lhes dá liberdade de adaptar, substituir, e complementar conteúdos na sala de aula, e terá interesse em publicar o nome e o currículo completo de cada um. Uma escola séria, em vez de adjetivos do tipo altamente qualificados, apresenta fatos do tipo: Fulano de Tal, FCE, CAE, CPE, TEFL Certificate, 3 anos de residência nos Estados Unidos, 8 anos de experiência no ensino de ..., etc.

Grupos e carga horária

O tamanho dos grupos também é fundamental. Grupos com uma média de 10 a 12 alunos propiciam as condições para um bom instrutor criar um clima de interatividade, afinidade e de comunicação..

Atenção para a carga horária total de aulas. Um semestre de 35 horas não é o mesmo que um de 55.

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